Parnasianismo



Movimento literário originado na França do século XIX em oposição ao romantismo. Representou na poesia o espírito positivista e científico da época. O nome PARNASIANISMO foi inspirado na mitologia grega. Parnaso era o monte consagrado a Apolo, deus da beleza, e às musas, divindades inspiradoras da poesia. Caracteriza-se por fazer a “arte pela arte” e na “perfeição formal”. Fazer “arte” pelo simples prazer de fazer “arte”, desvinculada da influência dos sentimentos e das emoções. Na perfeição exterior dos poemas (perfeição formal) são valores: rimas ricas e raras; vocabulário erudito; composição dos sonetos(02 quartetos e 02 tercetos); clareza e lógica; poesia descritiva; ausência de emoção.

Na língua francesa, o primeiro grupo de parnasianos reúne poetas de diversas tendências, tendo como denominador comum: rejeição ao lirismo como credo. Principais expoentes: Théophile Gautier (1811 – 1872); Leconte de Lisle (1818 – 1894); Théodore de Banville (1823 – 1891); Sully Prudhomme (1839 – 1907) e José Maria de Heredia (1842 – 1905), este último de origem cubana.

O movimento, em Portugal, teve pouca importância. São seus autores em terra lusitana: Gonçalves Crespo (brasileiro que se mudou para Portugal por haver se casado com uma portuguesa); João Penha e Antônio Feijó.

No Brasil, o Parnasianismo domina a poesia até a chegada do Modernismo, em 1822. Entre 1870 e 1880, ocorreu em nosso país a liquidação do Romantismo, submetido a uma crítica severa pelas gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiração dos ideais positivistas e realistas do momento.

Cronologicamente, o Parnasianismo durou no Brasil de 1880 a 1893. Sua influência, no entanto, estendeu-se até a primeira década do século XX. De início, foram seus arautos: Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, a partir de 1877. Surgiu timidamente nos versos de Luis Guimarães Júnior (Sonetos e Rimas – 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras – 1882), firmando-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias – 1883), Alberto de Oliveira (Meridionais – 1884) e Olavo Bilac (Relicário – 1888).

Mesmo que haja recebido grande influência do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, por não ter a mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, considerados a tríade parnasiana, o movimento teve no Brasil outros grandes poetas:Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luiz Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Gulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Menezes, Antônio Augusto de Lima, Luis Murat e Mário de Lima.

Ao final do século XIX, o prestígio dos poetas parnasianos fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu em 1896. No contato com o simbolismo, o Parnasianismo cedeu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição..

Veja-se uma amostra da poesia parnasiana no Brasil:

LÍNGUA PORTUGUESA

(Olavo Bilac)

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: “meu filho”!

E em que Camões chorou , no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!




Manoel Dantas